7 de novembro de 2012

O instante que ensina



"A percepção também é uma habilidade"
Ulric Neisser    


Você já começou a perceber...?
Você pode estar sentado, caminhando...de cabeça para baixo, de pernas para cima...
Notou as cores que presenteiam seu olhar?
Escutou a melodia que toca seu coração?
Sentiu o sabor do ar no seu rosto?
E o cheiro que lembra a infância?
Instantes que passam e permanecem
na memória da pele e nos ensinam sobre o viver












Bianca Galindo

28 de outubro de 2012

Jogo do Contente


"O jogo é exatamente encontrar, em tudo, alguma coisa para ficar contente, não importa o quê"
Pollyana


- Que susto me pregou, Miss Pollyanna! - gritou Nancy, enquanto corria em direção ao rochedo do qual Pollyanna tinha acabado de deslizar. 
- Assustou-se? Ah, desculpe, mas não precisa se preocupar comigo, Nancy. Papai e as senhoras da Caridade também se preocupavam, até que se convenceram de que eu sempre voltava bem. 
- Mas eu nem sabia que você tinha saído de casa - exclamou Nancy, agarrando a mão dela e ajudando-a a descer. - Não a vi sair, nem ninguém viu. Até parece que voou do telhado. 
- É verdade, quase voei. Desci pela árvore! Nancy parou bruscamente. 
- Desceu por onde? 
- Desci pela árvore, junto da minha janela. 
- Minha Nossa Senhora! - exclamou Nancy. - Nem imagino o que a sua tia dirá quando souber! 
- Quer saber? Eu conto para ela, e aí você pode descobrir - prometeu a menina muito alegre. 
- Por favor, não diga nada! 
- Por quê? Não me diga que ela se preocupa! - respondeu Pollyanna imperturbável. 
- Não... quer dizer, sim. Bem, não importa. Não estou interessada em saber o que ela pode dizer - disse Nancy determinada em evitar que Pollyanna fosse repreendida. - Mas é melhor nos apressarmos. Eu tenho que lavar a louça. 
- Eu ajudo - prometeu Pollyanna. 
- Oh, Miss Pollyanna! Nem pense nisso. 
Houve um breve silêncio. O céu escurecia rapidamente. Pollyanna agarrou-se com firmeza ao braço de sua amiga. 
- Apesar de tudo, estou contente que você tenha ficado um pouco assustada, porque assim veio atrás de mim. 
- Pobrezinha! Deve estar com fome, também. Receio que tenha que comer apenas pão e leite comigo na cozinha. Sua tia ficou zangada de não ter aparecido para o jantar. 
- Mas eu não podia. Estava lá em cima. 
- Sim, mas ela não sabia disso - observou Nancy, com vontade de rir. - Sinto muito pelo pão e leite. - Ah, eu não. Estou contente. 
- Contente? Por que? 
- Porque gosto de pão e leite, e porque vamos comer juntas. Eu não vejo nenhum problema em não ficar contente com isto. 
- Você parece não ter dificuldade para ficar contente com tudo que acontece - respondeu Nancy, recordando as tentativas de Pollyanna para ficar contente com o quartinho do sótão. 
Pollyanna sorriu docemente. 
- Pois o jogo é assim mesmo, não sabe? 
- Jogo? Que jogo? 
- Sim, o "jogo do contente". 
- Sobre o que você está falando, menina? 
- É do jogo. Papai me ensinou, e é lindo - disse Pollyanna. - Nós o jogamos desde que eu era pequena. Eu ensinei para as senhoras da Caridade e algumas delas também o jogavam. 
- Mas o que é? Eu não entendo muito de jogos. 
Pollyanna riu de novo, porém com um suspiro. Seu rosto parecia tristonho. 
- Começamos a jogá-lo quando recebemos umas muletas na coleta de doações. 
- Muletas? 
- Sim, muletas. Eu queria uma boneca e papai escreveu pedindo uma. Mas, quando chegaram as doações, não havia nenhuma boneca, e sim umas muletas para criança. Uma senhora as enviou pensando que poderiam ser úteis para alguém. E foi assim que começamos. 
- Mas não estou vendo nenhum jogo nisso - declarou Nancy, quase irritada. 
- O jogo é exatamente encontrar, em tudo, alguma coisa para ficar contente, não importa o quê - respondeu Pollyanna com ar sério. - E começamos com as muletas. 
- Eu não vejo nada para ficar contente. Receber um par de muletas quando queria uma boneca! Pollyanna bateu palmas. 
- É isso - gritou ela - eu também não percebi logo e papai teve que me explicar. - Pois então me explique - retorquiu Nancy, impaciente. 
- Pois o jogo consiste em ficar contente porque não precisamos delas! - exclamou Pollyanna, triunfante. - Veja como é fácil quando se sabe. 
- Que coisa estranha! - exclamou Nancy, olhando Pollyanna com ar receoso. 
- Estranho nada! É lindo! - continuou Pollyanna entusiasmada. - Desde então, nós jogamos sempre. 
E quanto pior o que acontece, mais divertido fica para resolvê-lo. Às vezes é muito desagradável, como quando papai foi para o céu e não ficou ninguém, a não ser as senhoras da Caridade. 
- Ou quando a colocam num quartinho sem quase nada dentro - resmungou Nancy. Pollyanna fez que sim com a cabeça. 
- Essa foi difícil no princípio - admitiu ela. - Principalmente porque eu me sentia muito sozinha no mundo. Eu não "joguei" naquela hora porque estava querendo coisas bonitas. Então me lembrei de como detestava ver as minhas sardas no espelho e vi aquela linda paisagem da janela. Veja, quando você está procurando coisas para ficar contente, você se esquece das outras coisas - como a boneca que eu queria, sabe? 
- Percebi - disse Nancy, engolindo em seco. 
- Mas geralmente não leva muito tempo. E, muitas vezes, já penso nas coisas boas quase sem pensar. Me habituei a jogar o jogo. Papai e eu gostávamos muito de jogar. Agora vai ser um pouco mais difícil, porque não tenho ninguém com quem jogar. Talvez a tia Polly queira jogar comigo - acrescentou ela pensativa. 
- Ela? Minha Nossa Senhora! - murmurou Nancy entre dentes. Depois, mais alto: - Ouça, Miss Pollyanna. Eu não sei se consigo jogar muito bem, porque não conheço nada desse jogo, mas se quiser posso jogar com você! 
- Oh, Nancy! - exultou Pollyanna, abraçando-a com força. - Isso é esplêndido, vamos nos divertir bastante. 
- Sim, talvez - concordou Nancy, com algumas dúvidas. - Mas não deve depositar grandes esperanças em mim. Nunca fui muito boa em jogos, mas vou fazer o possível. Você sempre terá com quem jogar - concluiu ela, enquanto as duas entravam juntas na cozinha. 
Pollyanna comeu seu pão e bebeu o leite com muito apetite. Depois, por sugestão de Nancy, dirigiu-se para a sala de estar, onde se encontrava a sua tia Polly, que levantou os olhos com firmeza. 
- Já jantou, Pollyanna? 
- Sim, tia Polly. 
- Estou muito aborrecida, Pollyanna, por tê-la obrigado a comer pão e leite na cozinha já no primeiro dia. 
- Não faz mal, estou muito contente com isso, tia Polly. Gosto muito de pão e leite, e também da Nancy. Não se preocupe. 
A senhora endireitou-se na cadeira, ficando mais ereta. 
- Pollyanna, você já devia estar na cama. Teve um dia muito penoso. Amanhã temos que organizar a sua vida e ver que roupas precisamos comprar. Nancy vai lhe dar uma vela. Tome cuidado com ela. O café da manhã é às sete e meia. Boa noite. 
Com naturalidade, Pollyanna dirigiu-se à tia e lhe deu um afetuoso abraço. 
- Estou muito contente com tudo que aconteceu hoje - disse ela, feliz. - Estou certa de que vou gostar muito de viver na sua companhia. Aliás, já sabia disso antes de vir para cá. Boa noite - disse, alegremente, enquanto saía da sala. 
"Mas que criança extraordinária", pensou Miss Polly. "Ela está contente com tudo - de ser castigada, de morar comigo, de tudo. Incrível!", exclamou Miss Polly, enquanto retomava a sua leitura. 
Quinze minutos depois, lá no sótão, a menina soluçava debaixo dos lençóis. 
- Papai, você que está junto dos anjos, eu não consigo jogar o jogo. Nem um pouco. Também não acredito que o senhor pudesse encontrar alguma coisa para ficar contente se tivesse que dormir sozinho no escuro. Se ao menos eu tivesse a tia Polly perto de mim, ou a Nancy... Seria mais fácil. 
Lá embaixo na cozinha, Nancy concluía a lavagem da louça, resmungando no seu modo habitual. 
- Se jogando aquele jogo maluco a gente fica contente por receber muletas quando se quer uma boneca, ou ir para aquele rochedo à procura de refúgio, então também quero aprender esse jogo. Ah, eu quero.

25 de outubro de 2012

Gentilmente


João trabalhava em uma multinacional e gostava de acordar bem cedo para chegar tranquilo em seu trabalho, há alguns dias começou a dar carona a um amigo e seguiam juntos para a empresa. O amigo observava que além da presteza em termos de horário, chegava bem antes do início do trabalho, João estacionava o carro bem distante da entrada da empresa, praticamente nas "últimas vagas" do estacionamento. Após vários dias com essa postura, o amigo sem entender arriscou a pergunta:

 - Você tem lugar fixo para estacionar?

 - Não - respondeu.

 - Por que, então você estaciona o carro tão longe do edifício para onde vamos, se chegamos tão cedo com centenas de vagas mais perto?

 - Porque assim deixamos as vagas mais próximas para os nossos colegas que chegam em cima da hora! - respondeu João









24 de outubro de 2012

Há algo que você sabe mas não sabe que sabe...ressignificando


   Assistindo a um programa de televisão, escuto o relato de uma moça à apresentadora dizendo ter medo extremo de elevador, a ponto de subir 27 andares a pé para visitar uma amiga em um prédio. Ela afirmou ter recorrido a um psiquiatra e a terapias com psicólogos de várias abordagens, os quais ela relatou não terem resolvido o seu problema  e por fim disse que já estava quase recorrendo a hipnose. Ao ouvir isso fiquei bastante intrigada, seria a hipnose o último recurso a ser buscado para auxiliar na solução de alguma questão? Seria algo ruim ou perigoso? E a pessoa a qual busca essa ferramenta de terapia não teria a mínima necessidade de tomar iniciativa e participar do processo de tratamento e solução de sua questão, como numa espécie de mágica? 

  Vamos nos informar sobre a hipnose terapêutica, para assim então podermos ter uma opinião consistente sobre ela e passar informações coerentes mundo à fora.




Há algo que você sabe mas não sabe que sabe. E logo que você descobrir o que é que você mas não sabe que sabe terás um sono tranquilo. 
(Milton H. Erickson)


  O histórico da hipnose mostra que ela aconteceu de várias formas ao longo do tempo. A sua exibição em palcos ou programas grotescos de televisão é a forma mais conhecida em que as pessoas tiveram contato com a hipnose, o que infelizmente tornou-a imersa em mitos e fantasias.

  Os estados de transe hipnótico são estados correlatos porém, o acesso até eles pode se dar de maneiras diferentes. É sobre essa maneira diferente a qual quero falar e esclarecer. A hipnose usualmente conhecida é a hipnose clássica, a qual o hipnoterapeuta afirma ter controle sobre o cliente e este é apenas passivo durante o tratamento, não participando do direcionamento do processo e apenas volta à consciência pela vontade do terapeuta. Hoje você vai conhecer a hipnose ericksoniana, desenvolvida pelo Dr. Milton Erickson, considerado pai da hipnose moderna. Vamos ressignificar este instrumento tão valioso e enriquecedor que pode ajudá-lo a se ajudar quando você quiser.

  A hipnose é um estado ampliado de consciência, onde a atenção e a percepção do indivíduo fica focalizada e voltada para o seu interior. Segundo Teresa Robles em Concerto para Quatro Cérebros, nosso cérebro automaticamente entra em transe a cada 60 a 90 minutos como uma forma de descanso e elaboração de suas atividades, aquele momento em que seu pensamento parece estar distante, por exemplo: quando você está dirigindo e se prende em seus pensamentos e sequer faz ideia de como conseguiu chegar no lugar que você queria sem depositar a sua atenção no trânsito. Isso significa que todos nós já experimentamos a hipnose e não foi nenhum bicho de sete cabeças. Ela é mais natural do que podemos imaginar.

  A hipnose passou por várias transformações e fazendo parte do contexto da hipnose moderna, temos a hipnose ericksoniana. Tenho carinho imenso por esta por ser um instrumento terapêutico que respeita as singularidades e jeito de ser do paciente/cliente. A hipnose ericksoniana faz parte da abordagem terapêutica criada pelo Milton Erickson, portanto ela é apenas um dos vários recursos utilizados para a melhoria da qualidade de vida do paciente. É uma forma de se estabelecer um processo de comunicação e interação do terapeuta com o paciente/cliente, onde cada um tem os seus papéis e o paciente participa ativamente e influi no direcionamento do processo terapêutico. Infelizmente,  alguns mitos ainda rodeiam o universo da hipnose sendo importante conhecê-los para abandonarmos informações que não têm sustentação alguma.

  O hipnoterapeuta tem poder sobre o paciente: como comuniquei anteriormente, a hipnose ericksoniana não ocorre essencialmente pela ação e poder do hipnoterapeuta, mas pela interação e aceitação da pessoa que entra em transe e deseja experimentar o que o hipnoterapeuta oferece (com base no que foi coletado durante as sessões e utilizando os próprios recursos do paciente) portanto, o paciente apenas se envolve se esta for a vontade dele;

 O hipnoterapeuta controla o desejo e a mente do paciente: esse é um dado muito propagado pelas pessoas, a hipnose acessa a mente inconsciente, o paciente pode ou não aceitar o que for dito pelo hipnoterapeuta, já que a mente inconsciente protege o ser humano daquilo que ele não deseja;

 A pessoa fica inconsciente durante o transe: em todo o momento a pessoa permanece acordada e por nenhum momento perde a consciência, do ponto de vista físico ela tem um relaxamento muscular, respiração suave e dessa forma a pessoa encontra-se relaxada, mas alerta. Dessa forma, a pessoa estará totalmente presente;

  Algumas pessoas dizem ter medo da hipnose por achar que ela pode prejudicar a saúde: a hipnose é um estado que permite um contato interior consigo mesmo, por si só isso já é benéfico. Entretanto, a hipnose deve ser utilizada por profissionais habilitados, pois em mãos inapropriadas pode causar algum mal, como já disse Teresa Robles: "Aprender a induzir um transe é igual a aprender a aplicar uma injeção. Qualquer um capaz de fazê-lo, mas para saber o que está se aplicando é necessário o conhecimento médico. E pode-se matar ou adoecer alguém com uma injeção".

  Por fim, compreende-se que a hipnose é um procedimento terapêutico extremamente sério e útil no tratamento das diversas patologias e não realiza milagres, como numa espécie de mágica. É uma ferramenta da psicologia autorizada e regulamentada pelo CRP na sua Resolução N° 013/00 de 20 de dezembro de 2000. Portanto, é preciso estar habilitado para usá-la.



Bianca Galindo

25 de setembro de 2012

Desbravando caminhos



Joana costumava estar atrás de um volante, mantendo a direção para chegar aonde queria, percorrendo as ruas que foram feitas para abrir passagem para irmos para onde quisermos. Percebia que dividia o espaço com outros meios de transporte diferentes do seu, isso mesmo, dividia, compartilhava aquele espaço, geralmente asfaltado, com outras pessoas, outros veículos. Confessou ter vividos momentos de impaciência e não tinha essa visão clara sobre partilhar aquele espaço até o momento que experienciou andar de bicicleta não simplesmente para um passeio, mas para levá-la de um lugar a outro. Notou como é agradável a gentileza de um carro que reduz a velocidade ao dobrar uma rua e a deixa seguir caminho em frente tranquilamente e como é maravilhosa a sensação quando você pode transitar de forma segura pelas ruas e avenidas quando é respeitado o seu espaço. 
O aprendizado na vida é inesgotável e quando nos colocamos numa perspectiva a qual não estávamos habituados um baú de riquezas pode ser aberto, proporcionando dias dourados para nós e para nosso convívio harmonioso em sociedade.
Além dos já conhecidos benefícios que o andar de bicicleta proporciona a saúde e ao meio-ambiente, alguns (des)conhecidos benefícios podem acontecer a você e aos seu vizinhos dessa jornada terrestre ao desfrutar de um novo andar...
E Joana, mal (ou bem) sabia ela que novas direções poderiam levá-la a lugares antes nunca explorados...



Bianca Galindo

Perspectiva




16 de setembro de 2012

Vendo com outro olhar



Para olhar, o essencial não é ver. Você pode escolher com qual lente você pode perceber melhor à sua volta e olhar até mesmo sem ver.




Bianca Galindo

28 de agosto de 2012

Infindavelmente...





A mente é uma caixinha de surpresas, que deliciosamente não se enxerga o final.







Bianca Galindo

16 de agosto de 2012

Obviamente "real"



"Há obviamente muita diferença entre nos considerarmos como peões de um jogo cujas regras chamamos realidade, ou como jogadores cientes de que as regras só são 'reais' porque nós a criamos ou aceitamos que podemos mudar."


Mudança - Princípios de Formação e Resolução de Problemas ( Paul Watzlawick, John Weakleand e Richard Fisch)

31 de julho de 2012

Ilumina (d)a mente


Estava estudando muito empolgada e contente porque ganhei uma luminária, visto que somente a lâmpada do meu quarto não estava sendo suficiente para minha leitura. Dessa forma, agora podia ler o meu livro com muito mais clareza. Em um momento minha mãe adentra o ambiente em que eu estava e comento com ela o quanto aquela luminária estava sendo boa e eficiente para meus estudos, foi quando ela pediu que eu desligasse a lâmpada para ver como ficava somente com a luminária acesa. Percebemos como a luminosidade não era boa e adequada para leitura, naquele momento, sozinha, ela não estava conseguindo iluminar de forma satisfatória, como a lâmpada também não, mas as duas juntas faziam uma luz brilhante e forte surgir, clareando as ideias de uma forma maravilhosa!


Dois homens caminhando em direção ao Sol


Bianca Galindo

30 de julho de 2012

Uma vez transformado...


O creme batido, depois de muitas mexidas,
 transformou-se em manteiga.
O milho rígido e contido, depois da prova de fogo,
transformou-se em pipoca.
Ninguém viu quando nem por quê,
mas foi preciso mexer e arder.
Nada foi destruído, tudo foi transformado.

O Poder de Ser a Transformação - Sônia Café





À sua medida


Você gostaria muito de obter uma peça de roupa para uma ocasião que você considera muito importante. Quando você pode escolher o tecido, incluindo cores, detalhes, textura, ou seja, quando o seu gosto e seus interesses são levados em conta, a chance de se conseguir uma peça especialmente sua, do seu jeito e que você possa vir a a ficar bem com ela são muito maiores.




A terapia é única para um único cliente, construída para as necessidade e situações de cada pessoa. Esse é o ponto de partida da Psicoterapia Ericksoniana, o respeito à individualidade de cada ser humano. Por isso, é uma abordagem feita sob medida para cada cliente.


Bianca Galindo

16 de julho de 2012

Desapegadamente


"Certa vez vivia um povo no leito de um grande rio cristalino. A correnteza deslizava silenciosamente sobre todos eles, jovens e velhos, ricos e pobres, bons e maus. E a correnteza seguia seu caminho, alheia a tudo que não fosse sua própria essência de cristal.

Todas aquelas criaturas se agarravam como podiam aos ramos e às pedras do leito do rio, porque sua vida consistia em se agarrar e porque todas elas, desde o berço, tinham aprendido a resistir à correnteza. Mas por fim uma das criaturas disse: "Estou farta de me agarrar. Mesmo que meus olhos não vejam o que há pela frente, confio que a correnteza saiba para onde vai. Vou me soltar e deixar que ela me leve para onde quiser. Se eu continuar aqui, imobilizada, morrerei de tédio!"

As criaturas riram e exclamaram: "Tola! Se você se soltar, essa correnteza que você venera a lançará, aos trambolhões e feita em pedaços, contra as pedras. Ela a matará, mais depressa que o tédio."  Mas ela não lhes deu ouvido. Inspirou profundamente e se soltou. A correnteza lançou-a com violência contras as pedras, mas a criatura, embora machucada, estava decidida a não se agarrar novamente. E então a correnteza a trouxe à tona e ela não mais sofreu e se lastimou.

As criaturas que vivam rio abaixo e não a conheciam exclamaram: "Vejam um milagre! Uma criatura igual a nós, e no entanto voa nas águas! Olhem, é o Messias que veio nos salvar!" E a que tinha sido arrastada pela correnteza respondeu: "Não sou mais Messias do que vocês. O rio gosta de nos fazer voar, com a condição de que ousemos nos soltar. Nossa verdadeira missão nessa vida é esta viagem, esta aventura".

As outras continuaram gritando, cada vez mais alto: "O Salvador! O Salvador", mas ainda agarrada às pedras. E quando levantaram os olhos, ela tinha desaparecido. Ficaram sozinhas, criando lendas sobre um Salvador".

Richard Bach, "Ilusões - As Aventuras de um Messias Indeciso" (1977)



3 de julho de 2012

Sintonize-se!



Você pode prestar atenção em como se sente agora...





Que tal escolher um som que combine com seu estado de espírito?!
www.stereomood.com


Bianca Galindo




19 de junho de 2012

Psicoterapia



"Inconscientemente, sabemos tanto e muito mais do que conscientemente".
Milton Erickson


Possivelmente, uma pessoa que chega ao consultório de psicoterapia já tentou conscientemente de tudo para solucionar a  situação ou dificuldade trazida. 

A abordagem ericksoniana proveniente dos ensinamentos Dr. Milton Erickson, trabalha além do nível consciente o nível inconsciente. Erickson afirma que este último pode ser o melhor amigo do homem. A nossa mente inconsciente é constituída por todos os aprendizados no decorrer da vida, dos quais muitos já fora esquecidos completamente, mas servem no funcionamento automático. A psicoterapia consiste em trabalhar com esses níveis de comunicação (Cs e ICs) e eliciar a riqueza, as possibilidades e os recursos que o inconsciente oferece para a promoção de mudanças.


     Um dia estava voltando da escola secundária quando um cavalo desenfreado passou a toda a brida perto de nós e entrou no estábulo de uma granja...atrás de uma talagada d'água. O animal borbulhava de suor. Mas o granjeiro não o reconheceu, de modo que o encurralamos. Pulei no lombo do bicho...como ele tinha rédeas, agarrei-as e lhe gritei: "Eia!"...encaminhando-o para a estrada. Eu sabia que o cavalo tomaria o rumo certo...Não sabia qual era esse rumo. E ele trotou e galopou. De vez em quando esquecia que estava na estrada e entrava no campo. De modo que eu tinha de puxar-lhe um pouco as rédeas, fazendo-o ver que a estrada era pra lá. Por fim, uns seis quilômetros do local onde eu havia montado, o cavalo entrou num estábulo e o granjeiro disse: "Ei-lo que finalmente volta. Onde você o encontrou?

     - A uns seis quilômetros daqui - respondi.
     - Como você sabia que ele chegaria aqui?
   - Eu não...ele é que sabia. Tudo o que fiz foi manter sua atenção concentrada no caminho.


Bianca Galindo

18 de junho de 2012

Caçador de mim


Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Milton Nascimento


Contra-mão ou mão?

Quando todas as pessoas se colocam de acordo a respeito de uma opinião ou uma atitude ou maneira de atuar, manifesta-se um consenso, que dita uma norma. Quando uma norma é adotada por muitos, cria-se hábitos.

Isso comumente ocorre na nossa criação, acabamos introjetando alguns comportamentos dos nossos pais, amigos e outras referências presentes no nosso caminho. A introjeção desses hábitos deveria ter a finalidade  de proteção e equilíbrio físico e mental. Nesse sentido, ocorre uma "naturalização" desse processo de que tudo que a maioria das pessoas sente, pensa ou faz deve ser considerado normal e seguido por todos. E a sociedade acaba por desenvolver uma espécie de guia ou roteiro a que todos devem seguir para se sentirem felizes e normais. Numa sociedade capitalista então, o caminho rumo à normalidade acaba sendo bem perigoso. 

Infelizmente, nem todas as normas ou hábitos são benignos, e o que abrange uma maioria acaba por restringir, pois não abarca a outra parte. 

A reflexão e o questionamento podem fazer parte do nosso cotidiano. A introjeção pode passar pela peneira pessoal, fazer alusão a quem somos, o respeito a nossa expressão, que são como digitais, são únicas.


Faço um convite a todos se perceberem e perceber determinadas características que se assumem. O que elas provocam? Bem-estar, autonomia, felicidade ou sofrimento, mal-estar e doenças. Dessa forma, poderá encontrar o SEU melhor sentido de caminhar.

Pensar ou andar na contra-mão pode ser a sua mão!






Bianca Galindo


25 de maio de 2012

O corvo e o vaso


O corvo estava morrendo de sede. Viu um vaso que tinha tão pouca água que o bico não alcançava. Tentou derrubar o vaso com as asas, mas era muito pesado. Tentou quebrar com o bico e as garras, mas era muito duro.
O corvo, com medo de morrer de sede tão perto da água, teve uma ideia brilhante. Pegou umas pedrinhas e foi jogando dentro do vaso. A água subiu e ele pode beber.


Com certeza você já ouviu falar em psicoterapia, pode ter sido lendo alguma matéria, algum parente ou amigo pode ter comentado que fazia tratamento psicoterápico ou apenas ter visto uma plaquinha indicando que naquele local em que você passava havia um(a) psicoterapeuta. Independente de como entrou em contato com esse termo, vamos tomar conhecimento do que é psicoterapia?

A psicoterapia envolve o paciente e o psicoterapeuta que, geralmente é um profissional formado em psicologia ou medicina e atua com uma formação complementar em uma abordagem terapêutica. É  um processo que visa com que a pessoa entre em contato reflexivo consigo mesmo, conduzindo ao desenvolvimento de uma maior percepção de si, de seus pensamentos, sentimentos, sensações e comportamento, e como eles acabam por interferir na vida pessoal, nos relacionamentos, no trabalho. Faz parte desse processo o emprego de técnicas e recursos próprios de cada abordagem para facilitar e catalisar o tratamento. São diversos os fatores pelos quais as pessoas podem se beneficiar ao procurar ajuda psicológica, como em momentos de crise (separações, perdas de entes queridos, situação de stress pós-traumático, perda de emprego ou em fases de desenvolvimento que pode propiciar crises evolutivas, como a adolescência, menopausa, aposentadoria) ou se apresenta sintomas de ansiedade, depressão, insônia, questões relacionadas a autoestima, comunicação, desenvolvimento pessoal, dentre outras.


Como você pode perceber o corvo apresentava uma dificuldade, como acontece com todas as pessoas em suas vidas, cada uma vai passar de um jeito diante dela, mas quando "esse jeito" encontra-se limitado e a pessoa vê que não consegue sair dessa situação sozinha, ela busca ajuda. Como somos seres tão diversos e singulares, as nossas dificuldades e problemas também são variados e de intensidades e frequências diferentes. É quando o papel do psicólogo entra em ação e com sua estratégia de intervenção vai auxiliar o paciente - respeitando a visão de mundo que este tem - a caminhar na estrada das possibilidades e ir em busca do melhor caminho para a chegada nos objetivo(s) terapêutico(s). Como o corvo encontrou o modo mais adequado para ele, conseguindo então, beber água e matar sua sede.




                                                     

 Bianca Galindo

22 de maio de 2012

Entre e sinta-se à vontade!


                 


O Desbravando o Ser surge com intuito de abordar e divulgar questões relacionadas ao desenvolvimento integral do ser humano, propondo-se a trazer e instigar reflexões nos leitores.

Através dos estudos e trabalhos que venho realizando em psicologia e psicoterapia pretendo utilizar esse espaço para informar sobre as abordagens da Psicologia que venho me dedicando amorosamente, a Transpessoal e a Ericksoniana, ambas partem do princípio que cada ser humano é único e possui uma tendência natural de desenvolvimento saudável do Ser, ou seja, todo ser humano tem um potencial para a saúde.

Falaremos ( Sim, no plural mesmo! Sempre que puder deixe seu comentário) sobre Psicologia e especificamente como essas abordagens psicoterapêuticas, cada uma com seus recursos e singularidades, cuidam dos pacientes/clientes, permitindo que a terapia desperte no paciente o uso de seus próprios mecanismos, que não estão sendo acessados - o que o levam a procurar uma psicoterapia.

Faço o convite para adentrar o universo psicoterapêutico e descobrir suas infinitas possibilidades.

Entre e sinta-se à vontade!


Bianca Galindo