24 de outubro de 2013

Viver é ser outro


“Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.


Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção – isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.

Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que foi será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão." 



Fernando Pessoa






8 de setembro de 2013

Renova-te


Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado, 
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto. 
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles





20 de agosto de 2013

Hipnoterapia ericksoniana


Ao utilizar o transe hipnótico como ferramentas psicoterapêutica, Milton Erickson compreendeu a importância de respeitar e validar as respostas individuais para esse fenômeno. 

Durante o tratamento psicológico é possível haver um processo educativo, de orientação, recuperação e modificação do que leva determinada pessoa a ter certo comportamento indesejado. É possível auxiliar, proporcionando o ajustamento psicológico de modo a tornar efetiva a superação e solução de conflitos e problemas diversos, tais como ansiedade, depressão, medos, insegurança, angústia, falta de perspectiva, mudanças de humor etc. 

A hipnose é um instrumento importante que pode ser usado no tratamento de inúmeros sintomas em diferentes diagnósticos. O termo hipnose passou a ser utilizado a partir do século XIX, embora os fenômenos hipnóticos sejam tão antigos quanto a existência do homem na Terra. Esses fenômenos são universais e fazem parte da vida cotidiana. Os primeiros registros datam do século XXX a.C., no Egito, através de escritos indicando que sacerdotes induziam a um estado hipnótico.

O significado da palavra hipnose vem do grego hypnos, sono. Mas na verdade não é isso que acontece. A hipnose modifica o padrão de consciência; o indivíduo focaliza sua atenção por meio de uma indução ou de uma auto-indução, concentrando a mente e direcionando seus pensamentos intensificando a atividade cerebral. É um processo diferente, por exemplo, do que ocorre num relaxamento ou de quando estamos dormindo. 

Monoideismo 
Se a hipnose tivesse sido criada a partir do que se conhece hoje de seus fenômenos e efeitos sobre corpo e mente, provavelmente não teria esse nome. James Braid, após ter cunhado esse termo, pensou em mudá-lo para monoideísmo, mas então o termo hipnose já estava em uso. 

Com o decorrer do tempo o recurso passou a ser utilizado em diferentes situações na tentativa de encontrar a cura dos sintomas e sua compreensão. A mente humana e seus efeitos sobre o corpo são ainda hoje poucos conhecidos e parecem, muitas vezes, algo misterioso, sem explicação. A hipnose e seus efeitos sobre a mente humana ganham cada vez mais espaço em pesquisas e estudos que vêm comprovando sua eficiência no tratamento terapêutico. 

Uma pessoa hipnotizada pode entrar em um transe leve, médio ou profundo. Essa variação pode ser pessoal e até mesmo momentânea. Durante um transe leve é possível perceber sinais como: catalepsia, diminuição dos movimentos, respiração e pulso lentos e, às vezes, sinais ideomotores. Num transe médio a catalepsia é mais acentuada, os músculos da face ficam soltos, o movimento de deglutição fica diminuído, há sinais ideomotores, movimentos oculares e respiração lenta. O transe profundo é parecido com o estágio anterior ao sono, podendo ocorrer movimentos rápidos dos olhos (sono REM, segundo a sigla em inglês), é possível abrir os olhos de forma acordada diferente , mas estes ficam vidrados e fixos, ou permanecem num olhar vago, pode-se falar e andar, numa atividade semelhante ao sonambulismo. 

No veneno está o antídoto 
Milton Erickson (1901 1980), psiquiatra norte-americano, estudou e desenvolveu a comunicação para melhor atender seus pacientes utilizando a hipnose como ferramenta básica de trabalho. Logo cedo ele percebeu que cada indivíduo respondia diferentemente às técnicas e aos estímulos apresentados, e por isso passou a utilizar a hipnose de forma única; adaptada à realidade individual apresentada pelo paciente. Milton Erickson direcionava a atenção de seu cliente para aspectos de interesse e utilizava a linguagem pessoal (a forma como cada pessoa se comunica com ela mesma) a seu favor. 

A hipnose é uma forma de comunicação que pode provocar mudanças no pensamento, no sentimento e no comportamento. Embora as pessoas procurassem Milton Erickson com dificuldades, problemas e doenças aparentemente iguais aos manifestados por tantas outras, os motivos da queixa eram diferentes para cada paciente. E, na medida que se respeitava essa individualidade, sem seguir regras gerais e padrões pré-estabelecidos acerca do comportamento humano, os pacientes melhoravam de forma mais rápida e eficaz. Milton Erickson, conduzia seus pacientes a um novo estado, proporcionando a esperada remissão dos sintomas. Ele utilizava aquilo que o próprio paciente trazia como ferramenta para a cura e o encontro de novas saídas. Muitas vezes, o antídoto era feito com o próprio veneno ou ele entendia que o problema em si fazia parte da solução . Milton Erickson contava histórias, usava metáforas, propunha tarefas e sugeria atividades como forma de intervenção. 

As experiências vividas se tornam aprendizagens e durante o transe hipnótico é possível desenvolver novas aprendizagens, reformular o pensamento, aprender outros hábitos, descobrir qualidades insuspeitas. As experiências vividas não podem ser modificadas, mas é possível criar uma nova moldura, re-enquadrando e transformando a percepção do viver e conseqüentemente adquirindo outros comportamentos e atitudes perante a vida. 

Pode-se dizer que fazer psicoterapia consiste em refletir sobre a própria realidade para que se possa adquirir e/ou desenvolver o reconhecimento da responsabilidade sobre si mesmo. Esse aprendizado possibilita a reconstrução contínua das experiências vividas ou imaginárias, pois é através dos recursos internos que a pessoa poderá compreender, solucionar e adaptar-se diante de antigas e novas experiências.




Adriana M. A. de Araújo é psicóloga clínica e hipnoterapeuta ericksoniana.

Fonte: http://www.desenvolvimentoexcelencia.com.br/artigos.php?codigo=96

16 de agosto de 2013

Você pode escolher e desfrutar


Um dia desses ouvi falar que meditar é você ser testemunha dos seus pensamentos, observá-los em sua mente sem julgá-los. Como em um tribunal em que existe o juiz, o advogado, a testemunha, o réu... A testemunha acompanha os acontecimentos e sabe que não precisa se envolver com nenhuma parte, apenas observar sem se contaminar com uma realidade possível, apenas testemunha o que presenciou. Quando a mente está bombardeada de ideias que parecem não cessar, ser testemunha proporcionará um oásis para o descanso mental, permitindo experimentar conforto e serenidade que tornam-se habituais à medida que as práticas passam a ser mais frequentes. 

Estendendo o assunto para outros horizontes (mas os mesmo ares), fiquei a pensar, e em quantos momentos se faz necessária a troca de papéis em relação aos nossos pensamentos e condutas?

Respeitar aquela fase que é importante tomar posição e bater o martelo para ordenar o que deve permanecer e o que deve ir embora, e então, efetivar decisões importantes para o seguimento de sua vida, ou ainda, advogar e assegurar seus interesses em prol do seu bem maior: seu bem-estar, controlando o que pode ser controlado em benefício de seu melhor cliente: você! Em outras ocasiões em que reconhecer e assumir atitudes e comportamentos prejudiciais pode transformar a condição de réu para a liberdade de praticar atos renovados. E por que não, respeitar as fases em que sente o mundo contra você e ao seu jeito de ser, de agir, de sentir e ter a oportunidade de oferecer à vida os seus contra-argumentos e defendê-los com a sua verdade, com o potencial que existe em você e sua capacidade de regenerar e reconstruir as situações da vida.

Lembrando que na meditação, você pode meditar de variadas formas, somente precisa escolher a melhor forma para o seu momento, existe a meditação focada nos movimentos da respiração, há a meditação imersa em uma atividade em que o foco é apenas acompanhar de forma presente o que se está fazendo, entre outras, você escolhe qual posição quer assumir e desfrutar dos resultados em sua vida.





Bianca Galindo

6 de agosto de 2013

O segredo


O segredo de progredir é começar.
O segredo de começar é dividir as tarefas árduas e
complicadas em tarefas pequenas e fáceis de executar,
e depois começar pela primeira.

Mark Twain


22 de julho de 2013

As histórias que somos

                                    
Nós, seres humanos possuímos a capacidade de raciocinar, de utilizar o pensamento em prol do que queremos, e ainda, a habilidade de transformar e aprender novas formas de pensar. Quando o ser humano se encontra vivenciando processos mais complexos como a perda de um ente querido; sintomas de ansiedade; depressão; ritos de passagem como a adolescência, a menopausa, a aposentadoria; dificuldades em relacionamentos; situação de stress pós-traumático, dentre outros, entra em ação uma grande colaboração dos nossos pensamentos e atitudes. A forma que as pessoas enfrentam esses processos é a chave para abrir as portas possíveis de lugares onde predominam a positividade, o auto-reconhecimento, potenciais e o desenvolvimento de habilidades. 

Ouvir uma única possibilidade de si mesmo, abrir apenas uma porta e pensar apenas de uma maneira limitam a imensidão de caminhos e histórias que fazemos todos os dias e o ser humano com toda sua dinamicidade e adaptabilidade não é uma história definitiva de si mesmo, como diz a autora nigeriana Chimamanda Adichie: "Todas as histórias que vivi fazem-me quem eu sou, mas insistir somente nas histórias negativas da minha vida é superficializar minha experiência e negligenciar muitas outras histórias que me formaram".



                                     


No processo terapêutico o cliente é estimulado por meio de técnicas e linguagem específicas a exercitar os seus pensamentos, expandí-los, movimentá-los, saudavelmente, tornando-os cada vez mais fortalecidos. Dessa forma o percurso para encontrar, descobrir, rememorar, criar e ressignificar as suas diversas histórias amplia-se à medida que o pensar e o sentir vão se transformando e adquirindo novas formas e conteúdos, protegidamente.

                           
Bianca Galindo

14 de julho de 2013

A ilha do Pode ser


Era uma vez uma tartaruga que vivia em um lago com um grupo de peixes. Um dia a tartaruga saiu para uma volta em terra. Ela ficou fora do lago por algumas semanas. Quando retornou encontrou alguns peixes. Os peixes perguntaram a ela, “Senhora Tartaruga, olá! Como vai você? Não temos visto você aqui nas últimas semanas. Onde você estava?” A tartaruga disse, ‘Eu estava em terra, passei algum tempo na terra seca”. Os peixes ficaram confusos e disseram, “Lá na terra seca? O que você está dizendo? O que é esta terra seca? É molhada?” A tartaruga disse, “Não, não é”. “É agradável e refrescante?”. “Não, não é”, “Tem ondas ou marés?”, “Não, não tem ondas nem marés”. “Você pode nadar nela?”. “Não, você não pode”. Então os peixes disseram, “não é molhada, não é fria, não tem ondas, você não pode nadar nela. Então essa sua terra seca deve ser completamente não-existente, apenas uma coisa imaginária, nada real afinal”. A tartaruga disse, “Bem, pode ser” e deixou os peixes para outra volta na terra seca.”




12 de maio de 2013

Sentindo no sentido sem sentido


Açaí

Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã



Djavan




25 de abril de 2013

Sinergismo


Eu ouvi...


Aconteceu uma vez, em algum tempo antigo, em algum país desconhecido, que um príncipe de repente enlouqueceu. O rei ficou desesperado — o príncipe era seu único filho, o único herdeiro do reino. Todos os magos foram chamados, os milagreiros, os médicos foram convocados, todo esforço foi feito, mas em vão. Ninguém conseguiu ajudar o jovem príncipe, que continuou louco.

No dia em que ficou louco, ele jogou fora suas roupas, ficou nu e passou a viver debaixo de uma grande mesa. Ele achou que tinha se tornado um galo. Por fim, o rei teve que aceitar o fato de que o príncipe não se recuperaria. Ele tinha ficado permanentemente insano, pois todos os especialistas tinham fracassado.

Mas, um dia, mais uma vez a esperança raiou. Um sábio, um sufi, um místico, bateu na porta do palácio e disse: “Peço uma chance de curar o príncipe.”

O rei ficou desconfiado, porque esse homem parecia, ele próprio, um louco ainda mais louco do que o príncipe. Mas o místico disse: “Só eu posso curá-lo. Para curar um louco, é necessário um louco ainda maior. E seus milagreiros, seus médicos especialistas, todos falharam, porque eles não sabem o á-bê-cê da loucura. Nunca percorreram esse caminho.”

Parecia lógico, então o rei pensou: Que mal pode haver? Por que não tentar? Então, deram a ele uma oportunidade.

No momento em que o rei disse: “Tudo bem, você pode tentar”, esse místico jogou fora as roupas, saltou para debaixo da mesa e cantou como um galo.

O príncipe ficou desconfiado, e disse: “Quem é você? E o que acha que está fazendo?”

O velho disse: “Eu sou um galo mais experiente que você. Você não é nada, é apenas um recém-chegado, no máximo um aprendiz.”

O príncipe disse: “Então, tudo bem se você também for um galo, mas parece um ser humano.”

O velho disse: “Não vá pelas aparências, olhe para o meu espírito, a minha alma. Eu sou um galo como você.”

Eles se tornaram amigos. Prometeram um ao outro que sempre viveriam juntos — e o mundo inteiro estava contra eles.

Alguns dias se passaram. Um dia o velho de repente começou a se vestir. Ele colocou a camisa. O príncipe disse: “O que você está fazendo? Ficou louco? Um galo tentando colocar uma roupa humana?”

O velho disse: “Estou apenas tentando enganar os tolos, esses seres humanos. E, lembre-se, mesmo que eu esteja vestido, nada mudou. Minha natureza de galo permanece, ninguém pode mudar isso. Apenas por me vestir como um ser humano você acha que eu mudei?” O príncipe teve de concordar.

Poucos dias depois o velho convenceu o príncipe a se vestir, porque o inverno estava chegando e estava cada vez mais frio.

Então, um dia, de repente, o velho pediu comida do palácio. O príncipe ficou muito ressabiado e disse: “Seu patife, o que quer dizer com isso? Você vai comer como os seres humanos? Como eles? Somos galos e temos que comer como galos.”

O velho disse: “Nada faz nenhuma diferença no que diz respeito a este galo. Você pode comer qualquer coisa e pode desfrutar de tudo. Você pode viver como um ser humano e permanecer fiel à sua natureza de galo.”

Pouco a pouco o velho convenceu o príncipe a retornar ao mundo da humanidade. Ele tornou-se absoluta mente normal.








Osho, em "O Barco Vazio: Reflexões Sobre as Histórias de Chuang Tzu"

24 de abril de 2013

Super ar


"Uma professora minha dizia: Quando a gente fecha os olhos, respira profundamente, um novo fôlego sempre vem acompanhado de uma nova inspiração."




22 de abril de 2013

E outras...


Ainda bem que sempre existe outro dia.   
               E outros sonhos.          
                 E outros risos. 
               E outras pessoas. 
                E outras coisas.

               Clarice Lispector










17 de abril de 2013

Arte da Vida




Linhas que se dobram e desdobram
Energia em movimento
Persistência e delicadeza até vencer os obstáculos
e enfim conquistar a transitória arte.
De um papel ao infinito de possibilidades 
O toque preciso libera a ação seguinte.
Arte delicada - descartável e duradoura.
Pode durar uma vida, um segundo ou transformar-se 
novamente em outro papel, em outra forma...
O ciclo não precisa parar.
Linhas transformam-se em objetivos.
A cada dobradura uma descoberta
A cada movimento uma resposta
Um final, um meio
Uma possibilidade
Formando nova vida!


Bianca Galindo

16 de abril de 2013

Sadia mente




Para uma planta crescer saudavelmente e se manter bonita, vistosa, produzindo bons frutos é porque teve um bom cuidador, atento a adubar a terra,  a regar com a quantidade necessária de água, capinar o mato ao redor quando preciso, afofar a terra para facilitar a drenagem da água  no solo, colocar alguma proteção para afastar alguns insetos e pragas...e de vez em quando dar uma olhadinha e se perguntar: Essa plantinha está precisando de alguma coisa? Está crescendo bonita,  com folhas fortes, dando frutos sadios? Se sim, ótimo! É só seguir desfrutando a colheita. Se talvez, vamos avaliar o que está acontecendo, se estamos respeitando as etapas, colocando itens importantes pra ela, se estamos conversando com ela...sim, claro, elas entendem, ou melhor, sentem quando e como conversa com ela. Ah! E encher ela de muito amor, muito carinho e dedicação. Afinal qual ser não responde bem a tamanha entrega cuidosa... ;)


Bianca Galindo

14 de abril de 2013

Saindo do piloto automático


Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: "Você nunca ficará bom se não parar de fumar." Ele era um fumante crônico e não consegui parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguiu por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema. Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim. Ele disse: "O que posso fazer? Como posso parar de fumar?" Eu lhe disse: "Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue - trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso." Ele perguntou: "O que você quer dizer por desautomatizar?" É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização. Eu lhe disse: "Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano - que importa?" Ele disse: "Sim, isso é verdade; não importa". Então eu disse: "Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação". Ele disse: "Do fumar uma meditação?" Eu disse: "Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação". Ele ficou impressionado e disse: "O que você está dizendo? Meditação? Conte-me - nem posso esperar!" Então dei a meditação para ele: "Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver... e o aroma... Então cheire o cigarro e sinta sua beleza..." O homem disse: "O que você está dizendo? A beleza?" "Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus". O homem ficou um pouco surpreso: "O quê? Você está brincando?" "Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério." Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato, e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível. Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, "Annam Brahm" - "Comida é Deus". Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões - isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada - e faça tudo bem devagar... Se você puder fazer isso, ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso." Depois de três meses, o homem voltou e disse: "Ele desapareceu!" "Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também". Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada. 


Osho



10 de abril de 2013

Re estabelecendo o andar


  Um cliente estava comentando como vinha se sentindo tomando uma medicação psicotrópica receitada pelo seu médico psiquiatra e que estava pensando em suspender a psicoterapia, afinal fazer o movimento de apenas tomar um comprimido à noite estava lhe proporcionando menos esforço e achava que dessa forma já estaria melhor para continuar sua vida e todas as situações que envolve vivê-la. O que ele parecia não se dar conta é que a medicação não é  uma solução mágica que dissolve todos os seus problemas e/ou a forma de lidar com eles.

   Convidei-o então, para observar uma sala de fisioterapia que existe bem em frente ao consultório que atendo, lá entrava uma pessoa se apoiando com um par de muletas, ela estava com um pouco de dor e naquele momento era difícil conseguir pisar o pé no chão. Naquele fase estava sendo extremamente necessário e útil ir até fisioterapia fazer o tratamento adequado para se reabilitar, cuidando do que é preciso ser cuidado para colocar o pé fortalecido no chão novamente. Mas enquanto ela apresentava esse quadro no pé, ela ainda tinha o seu dia-a-dia pra ser vivido, tarefas a serem executadas, ideias para colocar em prática e até mesmo chegar a clínica de fisioterapia continuar seu tratamento. Nesse tempo, o uso das muletas foi de extrema importância, sem elas, nesse caso específico talvez o tratamento fosse até inviabilizado, o que poderia tornar esse processo  mais complexo. 

     À medida que se tratava com a fisioterapia e trabalhava os aspectos importantes relacionados com a recuperação daquele pé, se sentia muita mais confortável e segura para ir abandonando as muletas que já não encontravam mais função ali.

    E agora eu fico me perguntando como seria se esse cliente resolvesse apenar usar as muletas e dispensar o tratamento fisioterapêutico sem ainda poder andar com seus próprios pés...






Bianca Galindo

20 de março de 2013

Comunicação "subaquática"


Hoje, conversando com uma pessoa, curiosamente ela me pergunta: "Qual a finalidade da hipnose para Milton Erickson?"

" Você já observou o mar? Já fez algum passeio de navio ou barco? Pois bem, e se você quisesse ir para o fundo do mar, acessar aquele universo rico de animais e plantas aquáticas,você usaria esses mesmos meios?" - respondi.







Bianca Galindo

25 de janeiro de 2013

Aceitando...






Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
— Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas às vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?
O mestre respondeu:
— O escorpião tem o seu próprio jeito de agir e mesmo na circunstância em que está não percebe que quero ajudá-lo e isto não vai mudar a minha atitude e a minha natureza, que é ajudar.
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida.




20 de janeiro de 2013

Dance conforme a sua música




  Siga suas instruções, você pode criar seu próprio caminho, quando puder reveja o seu manual, se o resultado não estiver sendo o que você quer, que tal fazer uma revisão nele? 
   Você pode viver do jeito que te faz feliz, se a música que toca não te agrada, mude-a, troque o ritmo, faça de outro jeito e veja como se sente, as possibilidades estão aí, sintonize-se com a que te agrade e dance do jeito que sabe. Os passos estarão sincronizados com seu coração. E então, não tenha dúvida que será uma bela dança. 




Bianca Galindo