25 de abril de 2013

Sinergismo


Eu ouvi...


Aconteceu uma vez, em algum tempo antigo, em algum país desconhecido, que um príncipe de repente enlouqueceu. O rei ficou desesperado — o príncipe era seu único filho, o único herdeiro do reino. Todos os magos foram chamados, os milagreiros, os médicos foram convocados, todo esforço foi feito, mas em vão. Ninguém conseguiu ajudar o jovem príncipe, que continuou louco.

No dia em que ficou louco, ele jogou fora suas roupas, ficou nu e passou a viver debaixo de uma grande mesa. Ele achou que tinha se tornado um galo. Por fim, o rei teve que aceitar o fato de que o príncipe não se recuperaria. Ele tinha ficado permanentemente insano, pois todos os especialistas tinham fracassado.

Mas, um dia, mais uma vez a esperança raiou. Um sábio, um sufi, um místico, bateu na porta do palácio e disse: “Peço uma chance de curar o príncipe.”

O rei ficou desconfiado, porque esse homem parecia, ele próprio, um louco ainda mais louco do que o príncipe. Mas o místico disse: “Só eu posso curá-lo. Para curar um louco, é necessário um louco ainda maior. E seus milagreiros, seus médicos especialistas, todos falharam, porque eles não sabem o á-bê-cê da loucura. Nunca percorreram esse caminho.”

Parecia lógico, então o rei pensou: Que mal pode haver? Por que não tentar? Então, deram a ele uma oportunidade.

No momento em que o rei disse: “Tudo bem, você pode tentar”, esse místico jogou fora as roupas, saltou para debaixo da mesa e cantou como um galo.

O príncipe ficou desconfiado, e disse: “Quem é você? E o que acha que está fazendo?”

O velho disse: “Eu sou um galo mais experiente que você. Você não é nada, é apenas um recém-chegado, no máximo um aprendiz.”

O príncipe disse: “Então, tudo bem se você também for um galo, mas parece um ser humano.”

O velho disse: “Não vá pelas aparências, olhe para o meu espírito, a minha alma. Eu sou um galo como você.”

Eles se tornaram amigos. Prometeram um ao outro que sempre viveriam juntos — e o mundo inteiro estava contra eles.

Alguns dias se passaram. Um dia o velho de repente começou a se vestir. Ele colocou a camisa. O príncipe disse: “O que você está fazendo? Ficou louco? Um galo tentando colocar uma roupa humana?”

O velho disse: “Estou apenas tentando enganar os tolos, esses seres humanos. E, lembre-se, mesmo que eu esteja vestido, nada mudou. Minha natureza de galo permanece, ninguém pode mudar isso. Apenas por me vestir como um ser humano você acha que eu mudei?” O príncipe teve de concordar.

Poucos dias depois o velho convenceu o príncipe a se vestir, porque o inverno estava chegando e estava cada vez mais frio.

Então, um dia, de repente, o velho pediu comida do palácio. O príncipe ficou muito ressabiado e disse: “Seu patife, o que quer dizer com isso? Você vai comer como os seres humanos? Como eles? Somos galos e temos que comer como galos.”

O velho disse: “Nada faz nenhuma diferença no que diz respeito a este galo. Você pode comer qualquer coisa e pode desfrutar de tudo. Você pode viver como um ser humano e permanecer fiel à sua natureza de galo.”

Pouco a pouco o velho convenceu o príncipe a retornar ao mundo da humanidade. Ele tornou-se absoluta mente normal.








Osho, em "O Barco Vazio: Reflexões Sobre as Histórias de Chuang Tzu"

24 de abril de 2013

Super ar


"Uma professora minha dizia: Quando a gente fecha os olhos, respira profundamente, um novo fôlego sempre vem acompanhado de uma nova inspiração."




22 de abril de 2013

E outras...


Ainda bem que sempre existe outro dia.   
               E outros sonhos.          
                 E outros risos. 
               E outras pessoas. 
                E outras coisas.

               Clarice Lispector










17 de abril de 2013

Arte da Vida




Linhas que se dobram e desdobram
Energia em movimento
Persistência e delicadeza até vencer os obstáculos
e enfim conquistar a transitória arte.
De um papel ao infinito de possibilidades 
O toque preciso libera a ação seguinte.
Arte delicada - descartável e duradoura.
Pode durar uma vida, um segundo ou transformar-se 
novamente em outro papel, em outra forma...
O ciclo não precisa parar.
Linhas transformam-se em objetivos.
A cada dobradura uma descoberta
A cada movimento uma resposta
Um final, um meio
Uma possibilidade
Formando nova vida!


Bianca Galindo

16 de abril de 2013

Sadia mente




Para uma planta crescer saudavelmente e se manter bonita, vistosa, produzindo bons frutos é porque teve um bom cuidador, atento a adubar a terra,  a regar com a quantidade necessária de água, capinar o mato ao redor quando preciso, afofar a terra para facilitar a drenagem da água  no solo, colocar alguma proteção para afastar alguns insetos e pragas...e de vez em quando dar uma olhadinha e se perguntar: Essa plantinha está precisando de alguma coisa? Está crescendo bonita,  com folhas fortes, dando frutos sadios? Se sim, ótimo! É só seguir desfrutando a colheita. Se talvez, vamos avaliar o que está acontecendo, se estamos respeitando as etapas, colocando itens importantes pra ela, se estamos conversando com ela...sim, claro, elas entendem, ou melhor, sentem quando e como conversa com ela. Ah! E encher ela de muito amor, muito carinho e dedicação. Afinal qual ser não responde bem a tamanha entrega cuidosa... ;)


Bianca Galindo

14 de abril de 2013

Saindo do piloto automático


Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: "Você nunca ficará bom se não parar de fumar." Ele era um fumante crônico e não consegui parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguiu por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema. Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim. Ele disse: "O que posso fazer? Como posso parar de fumar?" Eu lhe disse: "Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue - trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso." Ele perguntou: "O que você quer dizer por desautomatizar?" É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização. Eu lhe disse: "Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano - que importa?" Ele disse: "Sim, isso é verdade; não importa". Então eu disse: "Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação". Ele disse: "Do fumar uma meditação?" Eu disse: "Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação". Ele ficou impressionado e disse: "O que você está dizendo? Meditação? Conte-me - nem posso esperar!" Então dei a meditação para ele: "Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver... e o aroma... Então cheire o cigarro e sinta sua beleza..." O homem disse: "O que você está dizendo? A beleza?" "Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus". O homem ficou um pouco surpreso: "O quê? Você está brincando?" "Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério." Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato, e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível. Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, "Annam Brahm" - "Comida é Deus". Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões - isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada - e faça tudo bem devagar... Se você puder fazer isso, ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso." Depois de três meses, o homem voltou e disse: "Ele desapareceu!" "Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também". Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada. 


Osho



10 de abril de 2013

Re estabelecendo o andar


  Um cliente estava comentando como vinha se sentindo tomando uma medicação psicotrópica receitada pelo seu médico psiquiatra e que estava pensando em suspender a psicoterapia, afinal fazer o movimento de apenas tomar um comprimido à noite estava lhe proporcionando menos esforço e achava que dessa forma já estaria melhor para continuar sua vida e todas as situações que envolve vivê-la. O que ele parecia não se dar conta é que a medicação não é  uma solução mágica que dissolve todos os seus problemas e/ou a forma de lidar com eles.

   Convidei-o então, para observar uma sala de fisioterapia que existe bem em frente ao consultório que atendo, lá entrava uma pessoa se apoiando com um par de muletas, ela estava com um pouco de dor e naquele momento era difícil conseguir pisar o pé no chão. Naquele fase estava sendo extremamente necessário e útil ir até fisioterapia fazer o tratamento adequado para se reabilitar, cuidando do que é preciso ser cuidado para colocar o pé fortalecido no chão novamente. Mas enquanto ela apresentava esse quadro no pé, ela ainda tinha o seu dia-a-dia pra ser vivido, tarefas a serem executadas, ideias para colocar em prática e até mesmo chegar a clínica de fisioterapia continuar seu tratamento. Nesse tempo, o uso das muletas foi de extrema importância, sem elas, nesse caso específico talvez o tratamento fosse até inviabilizado, o que poderia tornar esse processo  mais complexo. 

     À medida que se tratava com a fisioterapia e trabalhava os aspectos importantes relacionados com a recuperação daquele pé, se sentia muita mais confortável e segura para ir abandonando as muletas que já não encontravam mais função ali.

    E agora eu fico me perguntando como seria se esse cliente resolvesse apenar usar as muletas e dispensar o tratamento fisioterapêutico sem ainda poder andar com seus próprios pés...






Bianca Galindo